postado em
19/04/2011
às
09:44
h
Ilustres,
Antes de mais nada, gostaria de deixar registrado que este post não é sobre A ou B, C ou D. Nem sei se deveria chamar de post, já que tem mais cara de reflexão.
Eu tenho acompanhado, de longe, todos os posts sobre o DBB. E, é claro, poderia participar apenas como leitor, vendo as coisas se acalmarem naturalmente. Mas como muitas opiniões foram dadas, muitas coisas foram faladas, acho justo deixar aqui a minha.
Existe uma coisa sobre nós, humanos, que pouca gente consegue explicar. A gente tem algum neurotransmissor que torce pelo fracasso. A gente gosta de ver o circo pegar fogo, mesmo que não haja nenhum combustível na tenda. Quando assistimos F1, por exemplo: existe algo no nosso cérebro que torce pela derrapagem, pela batida, pelo acidente. No futebol a mesma coisa. Quando acontece aquela briga no final do jogo, a mensagem se divide: um hemisfério acha ruim; o outro se diverte, levanta da cadeira e não tira os olhos da televisão. É natural. Em algum momento, em maior ou menor escala, acontece com todo mundo.
E o tal do inconsciente coletivo? Esse então é mais sacana ainda. A gente nem entende bem o motivo, mas se tá todo mundo fazendo, vamos fazer também! Deve ser algo bom! E nem sempre é.
O que acontece é que em toda e qualquer comunidade, existem os revolucionários e os reacionários. Os que criam e os que reagem à criação. E aqui não existe certo ou errado, existem pessoas diferentes com ideias diferentes. Não há culpa.
O que aconteceu ontem foi uma catarse. A ideia já não era mais criticar ou ajudar o site a fazer algo melhor. Era exorcizar todos os demônios do corpo, colocar tudo pra fora de uma só vez, tirar das costas todos os outros problemas e frustrações da vida. E fica fácil ver quando as coisas se misturam. As risadas são mais forçadas, os textos são mais agressivos, a razão vai desaparecendo e o bichinho no cérebro continua lá "mais, mais, mais, mais", "vai, vai, agora ofende! ele tá quase perdendo a cabeça!". E no final, o que a gente leva para a casa? A realização de ter ajudado a construir ou melhorar alguma coisa, ou a frustração de ser irrelevante, incapaz?
O Camiseteria evoluiu com as críticas. Escutamos todas as opiniões antes mesmo do site estar no ar. Mudamos funcionalidades, modelagens, criamos novos produtos, fizemos grandes parcerias e assim conseguimos juntar centenas de milhares de pessoas por aqui. E não é uma paixão pelo dinheiro, como alguns poucos podem achar. A gente é apaixonado pelo prazer da criação, do acerto, do erro, do aprendizado. O caminho dá muito mais tesão do que a chegada.
Infelizmente no meio do caminho a gente encontra a "torcida do fracasso", algumas poucas pessoas que estão rezando para que a gente seja mal sucedido, dê vexame, quebre ou faça alguma besteira. E aí, quando pinta uma oportunidade, a torcida comemora, queima colchões, toca os tambores e fazem de tudo, para que pelo menos uma vez na vida, se sintam vivos.
A gente entendeu o DDB sem maldade, sem segregação. Na nossa cabeça, era uma maneira de segmentar o interesse, como uma lista de discussão, um grupo de email corporativo etc. Criamos. Demos mais uma vez a cara a tapa. E a melhor coisa do mundo é ter a oportunidade de tentar. Errar ou acertar é uma consequência do processo de criação. Só quem cria tem o prazer de descobrir que estava errado, de aprender e não cometer o mesmo erro novamente. Não é o nosso primeiro e - podem ter absoluta certeza - não será o último.
Para a "torcida do fracasso", a má notícia: vamos continuar trabalhando. Para quem acredita no que estamos tentando fazer aqui, o que pedimos é a parceria de sempre, a crítica bem colocada quando errarmos e o brinde quando acertarmos.
Eu tenho muito orgulho do que é o Camiseteria. Sei das dificuldades do nosso mercado, da dureza que é tocar um negócio sério no Brasil, pagando todos os impostos, fornecedores e funcionários em dia. Tenho mais orgulho ainda de ter o Fabio como amigo e sócio, olhando sempre para a frente, sem medo do futuro, criando, acertando e errando. E aí quando o cara é apedrejado gratuitamente, eu fico realmente triste. Acho que basta uma visita ao QG para entender que a mentalidade aqui é outra. Às vezes pintam a gente como o "Ortros" da mitologia grega.
E aí, falando um pouco sobre o que foi postado ontem, a brincadeira para mim acaba quando deixa de ser crítica e vira um festival de ofensas, ironias e agressividade. Neste momento eu prefiro tirar o time de campo, já que neste tipo de discussão não há lógica, nem criação. Quando a discussão voltar a ser produtiva, estaremos lá de novo, participando, evoluindo e tentando fazer do Camiseteria um site cada vez melhor.
E para fechar o testamento, deixo uma frase do Disraelli e resume tudo o que eu penso sobre estas discussões online:
"A vida é muito curta para ser pequena."
Façam valer a pena.
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